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Resenha | As Bruxas de Salém

Escrito por Ravel Medrado

Sinopse: ”As bruxas de Salém é baseada em eventos verídicos que ficaram conhecidos como os Julgamentos das Bruxas de Salém. No ano de 1692, em Massachusetts, cerca de 150 pessoas foram processadas por bruxaria, resultando em várias execuções. Escrita no início de 1950, a peça é uma alegoria do macartismo, perseguição anticomunista empreendida nos EUA nesse período, e da qual o Arthur Miller foi vítima, quando o interrogaram e condenaram-no por não denunciar os colegas comunistas. O próprio Miller adaptou a peça para o cinema em 1996, em produção estrelada por Daniel Day-Lewis e Winona Ryder.”

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Cenas do filme As Bruxas de Salém de 1996.

Como prometido no outro texto sobre a série Salem, aqui está a resenha da peça As bruxas de Salém (The Crucible) que foi usada como referência para compor a versão televisiva e também é citada em filmes e livros com a temática de bruxaria, levando para o lado ficcional.

Arthur Miller (1915-2005) se formou em jornalismo e suas duas obras mais aclamadas são A morte de um caixeiro-viajante (1949) e As bruxas de Salém (1953).O livro faz questionamentos quanto a tolerância religiosa, o marcatismo que ficou conhecido como ‘’a caça às bruxas da era moderna’’ e ao próprio EUA.

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A peça As bruxas de Salém, pode ser encontrada no livro de contos de Arthur Miller pela editora Companhia das Letras.

‘’[…] Arthur Miller escreveu quando os Estados Unidos, recém-alçados ao topo do do mundo, viam a própria sobrevivência pela primeira vez ameaçada.[…]’’ escreve Otávio Frias Filho na edição brasileira do livro de peças do Arthur.

Durante a peça, Miller dá uma ‘’pausa’’ e conversa com o leitor um pouco sobre a obra. Confira alguns trechos:

‘’A Igreja Católica, através de sua Inquisição, é a famosa por ter cultivado Lúcifer como o arquidemônio [o mais terrível dos demônios], mas os inimigos da Igreja não contaram menos com o Bode Velho para manter escravizada a mente humana. […] Nos países de ideologia comunista, toda resistência de alguma importância é ligada aos totalmente malignos súcubos capitalistas na América, qualquer homem que não seja reacionário em suas posições está aberto à acusação com o Inferno vermelho [Rússia]. […] Uma polícia política é equacionada com o direito moral e a oposição a ela é malevolência diabólica. […] A analogia, porém, parece falha quando se considera que não havia bruxas e que existem comunistas e capitalistas hoje, e que em cada campo há prova certa de que espiões de ambos os lados estão em ação par minar o outro.’’ – As Bruxas de Salém, Arthur Miller, 1953.

Voltando para o enredo da história, estamos na Vila de Salém, em 1962, quando Betty Parris (filha do Reverendo Samuel Parris) está possivelmente doente, mas para essa doença não existe cura. Tituba é uma escrava que acaba sendo acusada de bruxaria. De acordo com os ditos históricos ela contou histórias de voodoo para Betty e Abigail Williams, a quem ela cuidava.

A histeria na cidade começa quando várias garotas relatam casos de bruxaria e acusarem as pessoas da vila. Como consequência, um tribunal é feito e as meninas terão que apresentar suas acusações perante a lei. John Proctor, um fazendeiro da região é bastante cético sobre os acontecimentos e tenta provar que é tudo uma farsa. Assim, ele descobre que Abigail Williams, a sobrinha do Reverendo e uma das adolescentes provavelmente possuída tentarão se vingar de sua família.

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”Eu vi Sara Good com o demônio!” – Abigail Williams (Winona Ryder).

O autor fez algumas adaptações da história original: diminuiu o número das meninas afetadas e das pessoas acusadas, além de ter aumentado a idade de Abigail e simbolizado todos os juízes da época em Hathorne e Danforth.

No contexto histórico, a maioria dos acusados eram mulheres, geralmente parteiras, mulheres solteiras, viúvas ou que tinham alguma ascensão social. Então você se pergunta ‘’Então por qual motivo essas moças acusaram a maioria das mulheres?’’. Na época, a mulher era considerada o meio mais fácil para o ‘’Diabo possuir’’, sem contar que a sociedade puritana era muito radical: a dança era proibida, leitura e música que fossem apenas religiosa.

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”Porque esse é meu nome!” – John Proctor (Daniel Day-Lewis).

Os pais influenciavam suas filhas a denunciarem seus vizinhos para conseguirem suas terras, aumentando assim todo o seu terreno. Até outros parentes e amigos faziam tal papel vil.

Pesquisas recentes apontam que a histeria coletiva pode ter sido causada por um fungo que era comum no centeio e em outros cereais. Um dos principais sintomas é a confusão mental.

Por ironia do destino, o próprio Miller foi acusado por ter envolvimento com comunistas na época, mas sua acusação foi anulada. Dentre uma das curiosidades do autor, é que foi casado durante cinco anos e meio com a atriz Marilyn Monroe. Para quem não tem tempo para ler a peça, o filme é uma boa indicação. Tenham uma ótima leitura.

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Sobre o Autor

Ravel Medrado

A felicidade só existe na aceitação.