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Realidade e sonhos conflitam em Sintonia

A produção de séries originais brasileiras pela Netflix cresce a cada ano, e Sintonia, série que vem do produtor e diretor Kondzilla, surge em meio dessas novas produções. A aposta da Netflix aqui vem não somente pelo público do funk, no qual Kondzilla está diretamente ligado, mas a história cria também um interessante paralelo entre a realidade e os sonhos de seus personagens, algo totalmente identificável.

Na história, acompanhamos três jovens amigos de infância que agora precisam seguir caminhos diversos para alcançar suas metas dentro de uma favela de São Paulo, abordando nisso fama, religião e o crime. Além de Kondzilla, a série também conta em sua concepção com Felipe Braga e Guilherme Moraes Quintella.

Contando com apenas 6 episódios, a história é ágil e não cria barrigas durante seu decorrer, apesar de não ter tantas nuances narrativas. Essa agilidade se dá graças à ótima montagem, que aplica um bom ritmo e ajuda a traçar as tramas de maneira com que elas apresentem pesos semelhantes.

Com o equilíbrio entre as tramas dos protagonistas, a série não fica maçante, porém, apesar do bom ritmo, a direção do Kondzilla em alguns momentos é mal calculada, e fica devendo um pouco na construção de cena e até mesmo na direção dos atores. Isso tudo acaba deixando certos diálogos e sequências mecânicos demais e o que acaba criando uma sensação de falsidade, que não compromete tanto a história, mas incomoda.

No elenco, temos nomes novos e também conhecidos, com atuações que variam em qualidade. O trio principal é composto por Doni (MC Jottapê), que tem um bom arco dramático e de conflito com seu pai, e tem uma entrega regular, Rita (Bruna Mascarenhas) tem uma boa atuação em um arco de busca pela fé, porém este em certos momentos se torna desinteressante, e por último, Nando (Christian Malheiros), que em sua atuação cria o conflito e peso necessário para mostrar a ambição de seu personagem, se destacando entre os três.

O elenco de apoio conta com Julia Yamaguchi, Fernanda Viacava, Danielle Rodrigues, Leilah Moreno e Vanderlei Bernadino e outros nomes. Esse núcleo é onde há a maior variação nas atuações, com alguns se entregando totalmente e ajudando na construção das cenas e outros que tiram um pouco do peso da história com a falta de veracidade.

A direção de arte da série cria peso e ajuda no realismo dos cenários, dando ao ambiente a verdade necessária para que compremos a história. Reforçando tudo, temos uma excepcional fotografia, que consegue acertar nos planos e na composição visual das cenas, que em alguns momentos tem cores mais saturadas e em outros deixa a cena neutra, dependendo do contexto.

A trilha sonora é recheada de funk, com nomes famosos, como MC Lan e Kevinho, o que é um acerto em meio à ambientação da série. A trilha instrumental é menor e pouco sentida, já que não consegue ser tão marcante quanto a trilha musical.

Sintonia tem um bom ritmo e também uma produção rica, o que ajuda a história a criar consistência. Com a direção de Kondzilla, que mostra habilidade dirigindo apesar de deslizes, a série nos entrega um bom primeiro ano, mas que precisa evoluir e não se acomodar para buscar nuances e novos horizontes narrativos.

Sintonia já está disponível na Netflix.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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