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Primeiras Impressões | FLCL: Progressive

Foi anunciando durante a Anime Expo 2017, após diversos rumores, que FLCL receberia duas continuaçõesProgressive e Alternative – após 18 anos desde o seu lançamento original da série. Produzida pela Production I.G e transmitida pela Adult Swim, FLCL teve o primeiro episódio da sua terceira temporada (Alternative) transmitido como uma brincadeira de primeiro de abril, porém, somente agora houve a transmissão oficial da segunda temporada (Progressive) no último domingo, 03 de junho.

Anteriormente já comentei sobre FLCL e a importância que a série teve para a indústria no início dos anos 2000 e para mim. Para aqueles que pretendem assistir as continuações, mas ainda estão incertos se realmente vale a pena embarcar nessa história, aqui as minhas primeiras impressões de FLCL: Progressive e o que podemos esperar depois de tantos anos.

Se tratando de uma continuação após quase duas décadas é evidente que haveriam mudanças no estilo de direção e animação, especialmente considerando a ausência do estúdio Gainax na produção das duas novas temporadas. Mesmo não tendo assistido FLCL durante sua transmissão original ou sequer tendo feito parte da legião de fãs nostálgicos que esperam há 18 anos por isto, eu certamente me senti contagiado logo nos primeiros minutos, acredito que muito disso se deve ao retorno da banda que compôs a trilha sonora do original. De fato, muitos afirmam que seria possível fazer FLCL funcionar na mão de outros estúdios, mas não sem The Pillows.

Progressive segue a história de Hinami, uma garota do colegial que realmente não tem motivação alguma nem objetivo, simplesmente vivendo dia após dia em um lugar onde nada realmente acontece– um tema já recorrente da série. O que diferencia Hinami de Naota, o protagonista da série original, é a forma como Hinami está ciente desta sua falha; sabendo que está desperdiçando sua juventude, mas incapaz de sentir interesse por qualquer coisa.

Do outro lado há Iide, um colega de classe de Hinami que é introduzido enquanto explica sobre um incidente que aconteceu no dia anterior quando uma mulher misteriosa em uma vespa o acertou e o “assediou”. Uma referência óbvia a Naota, considernado também que o design de Iide é muito semelhante a Naota, levando a crer que este seja o motivo pelo qual Haruko o atingiu.

A história aparenta ser ambientada na mesma cidade onde nada acontece da série original. Vale notar que, no primeiro episódio de Alternative exibido em abril, a história aparenta se passar em um local diferente.

Durante o episódio Hinami é vista várias vezes observando o ferro de passar roupa gigante, símbolo da Medical Mecânica. No decorrer do episódio é perceptível que o show opta por não seguir o mesmo estilo absurdo e surrealista do original, optando por seguir uma narrativa subjetiva, mas uma estrutura direta.

Uma das minhas maiores preocupações na verdade era que o show fosse deixar de lado muitos dos temas abordados anteriormente, como o fim da adolescência, a juventude e com isso sexualidade. Progressive me surpreendeu por demonstrar isso de uma forma surpreendentemente direta ao ponto, ainda assim, não explicitamente quanto no original.

Eu gostaria de entrar mais em detalhes sobre os personagens, como Jinyu que aparenta ter alguma rivalidade com Haruko, e também minhas expectativas quanto a eles, mas acredito que isto seja assunto para um texto futuro.

A trilha sonora, novamente composta pela banda The Pillows é inigualável. Há também o retorno de algumas faixas da primeira série que alguns fãs irão perceber. A animação, embora siga um estilo mais atual ainda tenta manter um certo equilíbrio entre o estilo antigo e o atual; tanto na questão dos cenários e pintura como caricatura dos personagens.

Algo notável de ambos os primeiros episódios é a ausência, ou pouca presença de Haruko. Embora seja uma personagem crucial e favorita dos fãs, a princípio a história focou em estabelecer seus protagonistas e porque eles estão neste papel ao invés de apelar ao fanatismo de uma personagem já estabelecida.

Tudo também leva a crer que veremos mais personagens recorrentes no decorrer da série, além de apenas citações ou referências. No encerramento é possível ver Mamimi parada com uma motocicleta vendo uma foto na sua máquina fotográfica.

O primeiro episódio também aproveitou para brincar e discutir com temas atuais, como a questão de gênero onde um amigo de Iide usa uma saia e dizendo ser uma peça de roupa unissex

Uma das polêmicas, ou ao menos pontos de discussão ao redor das duas novas temporadas é o seu calendário de exibição internacional e quanto a sua dublagem. Foi anunciado pela Adult Swim que as duas temporadas seriam primeiramente exibidas nos EUA, com a estreia no Japão marcada para setembro de 2018. O show será exibido na Adult Swim dublado, diferente do episódio em abril que foi transmitido legendado com as vozes originais.

Isto gerou certa comoção na comunidade, especialmente entre grupos de fansubs e aqueles que optam pelo material em japonês. Enquanto tenho preferência pelas vozes em japonês e com legendas, acredito que a dublagem não é nem pouco questionável – seguindo a mesma qualidade do original quando transmitido pela Adult Swim – e por isto deve ser elogiada. Atualmente a série só está disponível com uma dublagem em inglês, o que pode fazer alguns não tão familiarizados com o idioma terem que esperar até setembro.

Certamente não é algo que vá atrapalhar minha experiência, embora certamente voltarei a assistir assim que for transmitido com as vozes originais.

Ao meu ver, foi um ótimo primeiro episódio. Comparando com o primeiro episódio de Alternative, acredito que Progressive está um degrau acima por manter as mesmas temáticas e atmosfera já conhecida de FLCL. Certamente tenho grandes expectativas para a série, tendo em mente as questões que ficam no ar e como tudo pode se conectar aos eventos que aconteceram com Haruko e Naota há alguns anos.

Acredito que Progressive é certamente uma recomendação, tanto para os fãs antigos quanto para aqueles que ainda estão pensando em assistir.

De certa forma acredito que seria possível assistir Progressive sem ter conhecimento do original, mas ainda sim acho extremamente válido e recomendado que assistam aos 6 episódios que a constituem. Progressive conseguiu evocar um mesmo sentimento que tive em relação a primeira série, revivendo a experiência nostálgica que foi assistir FLCL pela primeira vez.

FLCL: Progressive contará também com 6 episódios e será transmitido na Adult Swim nas madrugadas de domingo no bloco Toonami.

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Sobre o Autor

Luiz Alex Butkeivicz

Estudante de letras e literatura japonesa e escritor.

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