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Olhos que Condenam mostra sem medo o racismo no sistema judicial

Em uma época em que tópicos importantes, como racismo, são pautas de grandes discussões, a diretora Ava DuVernay, conhecida pelo filme Selma, traz na minissérie Olhos que Condenam um importante olhar sobre como o preconceito é um dos culpados de grandes injustiças do sistema judicial. A minissérie da Netflix conseguiu incríveis 16 indicações ao Emmy 2019, além de estar concorrendo na categoria de Melhor Minissérie.

Baseado em fatos, os quatro episódios contam a história de cinco adolescentes, de etnia negra ou de origem latina, com idade entre 14 e 16 anos que foram incriminados por um crime de estupro brutal no Central Park em 1989, no qual nenhum estava envolvido.

Cada um dos episódios mostra uma fase desta história. A Parte Um apresenta os protagonistas, Antron, Kevin, Yusef, Raymond e Korey, e suas famílias, mas não perde tempo em já nos colocar diretamente no ponto de partida do tema qual a série realmente irá tratar, desenvolvendo todo o drama e revolta necessária. Isso é impulsionado na Parte Dois, onde vemos o julgamento e condenação dos garotos.

Apesar dos diversos acertos narrativos para contar a história e desenvolver o drama familiar dos dois primeiros capítulos, é neles onde há em alguns momentos certo apelo emocional notável em certas construções de cena, mas nada que possa arruinar a obra. Para a Parte Três, há uma transição que nos coloca na fase adulta dos personagens, esta feita de forma magistral pela direção de Ava Duvernay, que neste ponto já mostra controle total da história e de onde quer chegar. A construção dessa parte da história foca diretamente nas dificuldades pessoais, profissionais e amorosas causadas pela condenação de quatro dos cinco adolescentes.

Tirando o foco do que ocorreu na prisão no episódio anterior, DuVernay consegue injetar ainda mais poder na Parte Quatro, que mostra os primeiros anos de Korey na prisão. O peso dessa parte é construído tanto narrativamente quanto pela magistral atuação de Jharrel Jerome, que mostra uma entrega física e mental incrível.

A série ainda apresenta uma reconstrução de época ótima com sua direção de arte, reforçadas por uma fotografia composta por tons frios e que consegue captar perfeitamente o trabalho da produção. A narrativa tem o apoio da ótima trilha sonora, que evoca sentimentos e constrói por si só as emoções e o ambiente necessários, que ainda contam com um ótimo design de som para as cenas.

O elenco carrega fortes nomes, como Asante Blackk, Caleel Harris, Ethan Herisee, Marquiz Rodriguez, Marsha Stephanie Blake, John Leguizamo, Niecy Nash, Michael Kenneth Williams e outros, com todos os atores investidos para ajudar a estruturar de alguma maneira a obra de DuVernay.

Olhos que Condenam é sem medo uma narrativa sobre racismo, que evoca o pior do ser humano e mostra as falhas do sistema judicial, e como isso pode acabar com vidas. Com uma direção e texto exemplar, a obra consegue trazer sentimentos de revolta e emocionar na mesma quantidade, mostrando a habilidade da diretora Ava DuVernay de lidar com esse tema.

Olhos que Condenam está disponível na Netflix.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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