Música

O que há de mais bizarro no Grammy 2021

Escrito por Pedro Alonso

Na última terça-feira (24) a Recording Academy divulgou a esperada lista de indicados à 63ª edição do Grammy, a maior premiação da música. Assim como todos os anos, não houve outro assunto na internet durante algumas horas ou dias. Fãs comemoravam as indicações de seus ídolos, outros se lamentavam pelas faltas dela. E claro, assim como todos os anos, houveram injustiças que abalaram a rede de fãs da música.

Que o Grammy é uma premiação polêmica não é novidade para ninguém. Seja nas indicações ou nas vitórias (ou faltas delas) os resultados da premiação sempre geram certo frisson entre o público. Nas últimas cerimônias, diversos artistas testemunharam atitudes da academia considerada “injustas” por diversos fãs e entusiastas. A lista é longa e tem nomes como Beyoncé, Kendrick Lamar, Mariah Carey, Nicki Minaj, Ariana Grande, Lorde e Kanye West. 

Entretanto, a nova edição da premiação mal começou e já marcou a história do evento de maneira negativa entre seus telespectadores. Veja a seguir alguns fatos que contribuíram para as intensas queixas que se espalharam pela internet na última terça-feira:

The Weeknd

Começando pela maior polêmica e injustiça da edição e com certeza, de toda história do Grammys, temos o caso de esnobação de The Weeknd, que era visto como o favorito do ano por todas as apostas de críticos e entusiastas. Só no último ano o cantor canadense vendeu cerca de 4.4 milhões de cópias de seu álbum “After Hours” e ainda emplacou o smash hit “Blinding Lights” que já está há 337 dias no top 10 da parada global do Spotify, além de ter sido unanimemente bem recebido pela crítica especializada. Todavia, esses três fatores não foram o suficiente para a bancada do Grammy que resolveu o esnobar de qualquer indicação possível. The Weeknd não está nas categorias gerais, não está nas categorias pop e também não está nas categorias R&B.

Não é de hoje que o Grammy e demais premiações da indústria fonográfica são acusadas de serem racistas. Há alguns meses, um artigo foi publicado aqui sobre a indicação de “Blinding Lights”, uma música pop, na categoria de R&B do VMAs, premiação da MTV. Porém, desta vez, The Weeknd não teve nem a oportunidade de ser redirecionado a um outro gênero por conta de sua cor. Foi completamente ignorado e boicotado. 

“Os Grammys continuam corruptos. Vocês devem transparência a mim, a meus fãs e à indústria” – Disse The Weeknd em suas redes sociais após a divulgação dos indicados. 

Justin Bieber 

Diferente de The Weeknd, Justin Bieber foi indicado ao Grammy 2021. Indicado até demais. Seu último álbum “Changes”, que foi recebido mornamente pela crítica especializada e rendeu hits igualmente mornos comparado à seu auge comercial alcançado com “Purpose” de 2015. O canadense apareceu nas categorias Melhor Performance Pop Duo/Grupo com “Intentions”, Melhor Performance Pop Solo por “Yummy” e Melhor Álbum Pop. Não contente com o questionável reconhecimento, o cantor reclamou em suas redes sociais por ter sido colocado nas categorias pop e não nas do gênero “R&B”, qual ele acredita que seu último registro pertence. 

“Não quero parecer ingrato, mas eu fiz um álbum R&B. Changes foi e é um álbum R&B.”

Com todo respeito ao cantor e seus fãs, mas se teve alguém que possa ter “roubado” vagas na premiação e ter ajudado na injustiça contra The Weeknd, essa pessoa é definitivamente Justin Bieber.

Coldplay

 

Surpreendendo até os seus fãs mais fiéis e sonhadores, o álbum “Everyday Life” foi indicado na categoria mais importante do Grammy, a de “Álbum do Ano”. Lançado em Novembro de 2019, o disco passou longe de ser um sucesso comercial. Na verdade, diferente dos últimos projetos da banda, ele foi o menos pop possível. O que rendeu até uma grande aclamação da crítica. Contudo, a banda simplesmente só aparece nomeada a esta categoria. Justo a maior. Sem dar as caras no segmento rock, pop ou alternativo. 

Não é como se a banda britânica não seja lembrada a cada registro pela academia, longe disso. Todos os álbuns do Coldplay renderam ao menos uma indicação na premiação, já figuraram “Álbum do Ano” em outra vez. Mas dessa vez tudo é muito, muito estranho. 

Fiona Apple, Perfume Genius e Rina Sawayama

Talvez em edições anteriores do Grammy esse tópico não seria adicionado em um texto como esse. O Grammy nunca foi de  dar bola para artistas undergrounds nas categorias principais. Vez ou outra algum aparecia na categoria alternativa e por aí ficava. Mas, a partir do momento que a premiação coloca em suas categorias principais álbuns e músicas que passaram longe de ser um sucesso comercial como o já citado “Everyday Life” do Coldplay ou o “Djesse Vol. 3” de Jacob Collier e o “Chilombo” de Jhéne Aiko.

Longe de menosprezar o trabalho desses artistas, é bom para que trabalhos fora da bolha mainstream consiga um lugar de destaque. Mas, dito isto onde está Rina Sawayama com seu álbum de estreia e Perfume Genius com “Set My Heart On Fire Immediatly”? Dois discos impecáveis na qualidade, conhecidos dentro da cena alternativa e extremamente bem recebidos pela crítica especializada. 

A veterana Fiona Apple que sempre é lembrada pela premiação quando lança um novo disco, felizmente está na lista. Seu quinto álbum de estúdio, o monumental “Fetch The Bolt Cutters” conta com 3 indicações, ele aparece em “Melhor Álbum Alternativo”, “Melhor Canção de Rock” e “Melhor Performance de Rock” pela faixa Shameika. 3 nomeações é um grande feito, de fato. Entretanto, o disco mais aclamado de 2020 (e dos últimos anos) merecia muito mais. A esnobação do registro que “previu a quarentena” em “Álbum do Ano” dói tanto quanto a de “After Hours”. 

 

Para conferir a lista completa de indicados clique aqui.

 

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Sobre o Autor

Pedro Alonso

Sou estudante do 2º período de Jornalismo e apaixonado por cultura pop. E assim como Justin Timberlake fez em seu 3º álbum de estúdio, estou vivendo minha 20/20 Experience.

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