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Monogatari Series | O que faz de Koimonogatari o melhor arco da série

Há tempos eu falei sobre a série Monogatari de uma forma bem vaga, dando o holofote à Nekomonogatari por uma variedade de motivos, entre eles os temas abordados e o peso colocado na personagem Hanekawa Tsubasa, uma personagem pela qual desenvolvi grande afeição. Foi então que há algumas semanas eu me apaixonei novamente por essa série ao revisitar Koimonogatari, o arco final da Second Season.

Novamente, por uma variedade de motivos – realmente aleatórios, mas que pretendo explicar nesta matéria – talvez me sinta ainda mais encantado do que pela primeira vez com essa história. É com um olhar mais maduro, que talvez agora eu consiga pôr em palavras o porquê Koimonogatari ressoa tão alto, talvez tão alto quanto Nekomonogatari, para mim. Uma história que fez eu me apaixonar por estes personagens novamente.

Agora, como de costume me permitem falar sobre esta história, esta que é uma história de mentirosos, mas acima de tudo uma história de amor; Koimonogatari.

01 de janeiro.

Ou melhor, 31 de outubro, uma terça-feira.

Após os eventos de Nadeko Medusa, em OtorimonogatariSengoku Nadeko se torna uma deusa, e promete para Senjougahara que irá a matar, juntamente com Araragi e Shinobu. Senjougahara então, decide recorrer a Kaiki Deishuu, um dos melhores personagens de toda a série.

Um dos principais motivos que destacam Koimonogatari é a mudança de narrador, e considerando a estrutura em primeira pessoa da série, também a de protagonista. Nekomonogatari Shiro também se beneficia dessa mudança de locutor, onde a história passa a ser narrada e protagonizada por Hanekawa, como já citei anteriormente. Em Koimonogatari novamente vemos o quanto Araragi não é um narrador confiável ao ver mais uma vez o ponto de vista de outro personagem, desta vez o já estabelecido antagonista Kaiki Deishuu.

Introduzido primeiramente em Nisemonogatari no arco Karen Bee, Kaiki Deishuu deste então já não aparentava ser um antagonista genérico de um shounen, ainda sim acredito que é algo que realmente faz este arco se destacar – sendo narrado através de Kaiki, alguém que até então nos foi apresentado apenas como um indivíduo que tem como único interesse o dinheiro. No decorrer da trama nós descobrimos mais sobre o passado de Kaiki e é possível chegar conclusão de que mesmo como um antagonista para Araragi, ele é mais qualificável como um verdadeiro protagonista do que o próprio.

Em cada conversa de Kaiki, especialmente nas conversas com Nadeko e Senjougahara (formando a tríade principal da trama), temos um vislumbre cada vez mais claro da personalidade e do background do personagem. Geralmente o roteiro seguiria uma estrutura de desenvolvimento contínuo, onde o personagem A passaria por provações e obstáculos que resultariam na sua catarse ao lidar com uma falha específica do seu personagem – estrutura que é seguida à risca em outros arcos da série, como Suruga Monkey (Bakemonogatari).

Koimonogatari adota uma estrutura “inédita” na série, onde os elementos narrativos (background, plot device, etc.) derivam de outros arcos que por si só constituem uma história fechada, mas ainda sim tem seu desfecho derradeiro em uma sequência de eventos distinta (Koimonogatari traz o desfecho dos arcos Nadeko Snake e Nadeko Medusa, também desenvolvendo em cima de personagens não muito explorados anteriormente, como Kaiki). De certo modo, ao mesmo tempo que a história desenvolve Nadeko e Senjougahara na estrutura padrão como personagens secundários também ocorre a revelação do personagem de Kaiki, onde há um background suficiente para justificar as ações do personagem e inseri-lo na trama de forma que ele possa atuar como agente da catarse das personagens secundárias, apesar das faltas da sua personalidade. ­

A história também se aproveita de diversos pontos já estabelecidos em Nise para desenvolver ainda mais o já trágico personagem que é Kaiki. Algo que é feito por exemplo, quando ele diz a Nadeko que Araragi, Shinobu e Senjougahara morreram em um acidente de carro, da mesma forma que disse a Senjougahara sobre o homem que tentou estupra-la. É óbvio que em ambos os casos ele mentiu, mas logo é explicado o por que ele utiliza esta mentira: Por que seu amor não correspondido, Gaen Tooei – irmã de Gaen Izuko e tia de Kanbaru Suruga – morreu em um acidente de carro. Kaiki acredita que um acidente de carro é totalmente não sentimental, desprovido de culpa e por isso ele faz uso desta mesma mentira para apaziguar Senjougahara e enganar Nadeko.

A questão do amor não correspondido também traz paralelos entre Kaiki e Sengoku, algo que torna o conflito entre eles ainda mais profundo.

O elemento de foreshadowing também é bastante presente em toda a série, e em Koimonogatari vemos isto através de diversas alegorias visuais na abertura, como Kaiki dirigindo um carro e os próprios visuais retro da abertura fazendo referência ao diálogo de introdução de Otorimonogatari, onde Nadeko diz que seus mangás e animes favoritos são dos anos 80 ou retro, também incitando a revelação do que está escondido no armário de Sengoku, seus mangás shoujo e materiais que ela usa para desenhá-los, o que é entregue no próprio estilo da abertura e no tema – uma abertura clichê de um anime shoujo retro retratando um relacionamento amoroso entre Kaiki e Senjougahara.

Ao final do arco Kaiki é atacado por uma das crianças que ele enganou durante os eventos de Nise e é deixado para morrer sangrando na neve. Um dos maiores feitos de Koimonogatari é induzir um carisma até então inexistente, quando o arco chega ao seu final e os personagens têm sua catarse estranhamente esperamos que tudo fique bem para ele.  Em uma cena final Kaiki é atacado por uma das crianças que ele enganou durante os eventos de Nise e é deixado para morrer sangrando na neve. Em Hanamonogatari é revelado que Kaiki sobreviveu e partiu em busca de Kanbaru para cumprir seu objetivo estabelecido a princípio em Koi. A sua suposta morte ao final da Second Season foi certamente um dos pontos altos da série, onde leitores e espectadores ficaram nas pontas dos pés ao chorar por um homem desprezível como Kaiki Deishuu.

As técnicas utilizadas por Nisio Isin para apresentar seus personagens e trama estão longe de serem originais e inovadoras, mas a forma como orquestra o drama entre seus personagens através do seu contraste e ênfase em suas interações é o que faz a série Monogatari se destacar, e Koimonogatari excede os limites aos entregar tudo que o autor aprendeu até então. É inegável a qualidade das séries seguintes, como Owarimonogatari, mas acredito que Koi se destaca em ser uma “história final” mais marcante, mas essa é só minha opinião.

Tenho certeza que minha opinião irá mudar com o tempo – que eventualmente irei ter outra história como minha favorita – e é com essa mesma certeza que voltarei a falar sobre essas histórias, sobre a série Monogatari. É claro, há diversas histórias esperando para serem ouvidas lá fora então acredito que é hora de deixar essa série de lado e partir para uma nova história.

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Sobre o Autor

Luiz Alex Butkeivicz

Estudante de letras e literatura japonesa e escritor.

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