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Monogatari Series | O fim de uma história

Esta matéria contém spoilers da série Monogatari

Oshino Ougi.

Eu vou lembrar dela… Como um símbolo da minha juventude.
É isso – nos dias que estão por vir, quando eu pensar nos anos de colegial de Araragi Koyomi, eu tenho certeza que a primeira coisa a vir na minha cabeça não será Senjougahara Hitagi, Hanekawa Tsubasa, ou Kanbaru Suruga, nem Oshino Shinobu nem Hachikuji Mayoi. Será o rosto sorridente de Oshino Ougi.
Um sorriso que nunca mostra no que ela está pensando.
Um sorriso que faz você imaginar pelo que elas está tão animada.
Um sorriso usado por alguém cujas intenções e a história são desconhecidas.
Será esse mesmo sorriso que ela sempre usou.”
– Owarimonogatari, Ougi Dark – 001

Há 8 anos surgia o primeiro episódio de Bakemonogatari adaptando a novel de Nisio Isin lançada em 2006. Há anos começava uma longa jornada cheia de tragédia, ação, emoção e alegria. Recentemente com o fim da adaptação de Owarimonogatari tive a oportunidade de falar sobre Hanekawa Tsubasa e o seu papel no decorrer da série Monogatari, mas ainda sim acredito que a esta série merecia algo mais.

Enquanto poderia falar dias sobre esta série que tanto amo, receio que terei que me conter um pouco. Ainda sim, não posso deixar de passar está oportunidade de falar sobre o ano dourado de Koyomi Araragi, sobre as histórias que marcaram seu último ano no colegial. Acima de tudo, preciso contar esta história.

Agora, por favor, me permitam falar um pouco sobre um jovem chamado Koyomi Araragi que no seu último ano do colegial se encontrou com uma vampira de sangue quente, de sangue frio, de sangue de ferro. Me permitam falar sobre minha experiência ao ouvir está história para que mais uma vez possa olhar com nostalgia para os meus anos no colegial, os últimos anos da minha adolescência.

Hanekawa best grill always

Em 01 de novembro de 2006 era lançado o primeiro volume de Bakemonogatari escrito por Nisio Isin. A novel era dividida em dois arcos distintos, um narrando o encontro de Araragi com Senjougahara Hitagi, uma garota totalmente desprovida de peso. No outro, o encontro de Araragi e Senjougahara com Hachikuji Mayoi, uma estudante do fundamental perdida tentando chegar até a casa da sua mãe no dia das Mães. Aquelas histórias simples, escritas como um simples hobby a princípio, deram asas a imaginação de diversos leitores ao entregar uma narrativa cheia de diálogos extensos, simbolismo e uma caracterização impecável. Alguns meses depois seria lançado Bakemonogatari vol. 2 contando as histórias de Kanbaru Suruga, Nadeko Sengoku e Hanekawa Tsubasa.

Há mais de 10 anos, começava a jornada de Araragi Koyomi e suas aventuras envolvendo aquelas garotas bizarras. No decorrer dos anos, a escrita de Nisio Isin evoluiu de forma grandiosa, quando em 2013 foi lançado o que acredito ser uma das melhores de suas obras, Owarimonogatari. Embora esta não tenha sido a última novel na série, Owarimonogatari marcou o fim da história de Araragi, e foi na primavera de 2017 que a adaptação desta longa história chegou ao fim.

Acredito que seja mais do que necessário citar o nível de foreshadowing e simbolismo em Monogatari. Nísio Isin através do conceito das esquisitices, tendo como grande base o folclore japonês, desenvolve as personagens de forma sutil mas grandioso. Tal desenvolvimento também é auxiliado pela estrutura do enredo, entregando Monogatari não como uma série de ação mas sim de mistério.

Frequentemente vemos as personagens apenas através dos olhos de Araragi e pela forma como interagem com o mesmo, porém, através dos casos das esquisitices e de outras histórias, somos capazes de entender de forma mais profunda a psique das personagens e suas motivações. Como a tsundere Senjougahara Hitagi, que a princípio segue apenas este arquétipo mas logo vemos sua verdadeira personalidade ao ceder e demonstra seus verdadeiros sentimentos à Araragi.

Muito da narrativa de Monogatari nos é entregue através dos olhos de Araragi, isto é uma fato. Mas ainda sim, há diversos momentos em que vemos a história através de outros olhos, como de Hanekawa em Nekomonogatari: Shiro ou Kanbaru em Hanamonogatari. Estas, mesmo que não sejam histórias narradas pelo próprio Koyomi, ainda sim fazem parte da sua história. Acredito que nestas em especial, são os momentos em que mais vemos as consequências das ações de Araragi, a forma como suas amigas o veem, a forma como elas afetam sua vida.

E de fato, muito da grandiosidade de Monogatari se deve exclusivamente ao desenvolvimento de seus personagens. A forma como Araragi em Kizumonogatari é um jovem recluso que afirma não precisar de amigos, mas acabei tornando-se amigo da impecável representante, Hanekawa Tsubasa. Tal aspecto da personalidade de Araragi é visivelmente uma piada com o estereótipo dos protagonistas de Light novels, ainda sim, a partir desta piada mais tarde vemos a razão para as atitudes de Araragi em Sodachi Riddle, antes mesmo de Araragi entrar na Academia Naoetsu.

Embora a série possua uma atmosfera descontraída, somos capazes de ver as diversas características trágicas que continuem os personagens. Como a garota negligenciada pela sua família, ou a garota que quase foi estuprada enquanto sua mãe não a ajudou.

No fundo, Monogatari é uma história com personagens trágicos enfrentando seus problemas para que não terminem vivendo mentiras, lutando para serem felizes.

De longe acredito que os arcos da Sodachi são os mais pesados em relação a conteúdo

A forma como Nisio Isin brinca com as palavras e com o leitor é evidente e satisfatória em diversos níveis. Frequentemente temos todas as pistas diante de nós, sendo guiados pelo raciocínio de Araragi também na tentativa de desvendar o mistério por trás das esquisitices, mas ainda sim, somos pegos de surpresa diante da magnitude da escrita de um gênio.

Os momentos em que esta característica mais são evidentes são em Sodachi Riddle, Sodachi Lost e Ougi Dark. Nestes arcos deixamos de ser apenas espectadores e passamos a sentir a angústia e dúvida de Araragi. Assim como ele, sabemos que as pistas sempre estiveram ali, exatamente por isso sentimos a necessidade de desvendar este mistério, sejam os motivos de Black Hanekawa para atacar Araragi, o paradeiro da mãe de Sodachi ou a identidade de Oshino Ougi.

A escrita de Nísio Isin é admirável, isso é algo que já deixei bem claro. Mas senti que ainda sim precisava falar um pouco sobre ela, sobre os pequenos aspectos que tanto gosto nela. Afinal, foi através desta mesma escrita que encontrei o sonho de contar minhas próprias histórias.

Ao menos dessa vez eu tenho que dar o devido crédito aos fãs da Senjougahara

Foi há aproximadamente 3 anos que tive meu primeiro contato com Monogatari quando vi um teaser da Second Season na casa de um amigo. Me lembro de ficar intrigado com o estilo de arte, com os diálogos, com toda aquela premissa. Foi quando me deparei com diversos animes, todos em um ordem extremamente confusa para assistir, mas mesmo assim, segui perseverante e assisti ao primeiro episódio de Bakemonogatari nas minhas férias de verão, e então Nisemonogatari, etc.

Quando percebi, já havia assistido a todas as adaptações até então. Sob o vazio de não ter mais nenhum novo episódio de Monogatari para assistir, fui atrás das novels e agora percebo que já se passaram 3 anos e ainda aguardo ansiosamente toda vez que uma novel é anunciada. Para diversas pessoas essa longa jornada começou em 2006, para outros em 2008, mas mesmo que a minha tenha começado apenas há 3 anos, todos nós tivemos a oportunidade de ver o final desta história em Owarimonogatari.

Se você estiver lendo este texto e ainda tiver qualquer dúvida sobre começar a ler ou assistir a série Monogatari, por favor, não hesite. Acredito que seja uma experiência única, algo que todos fã ou não de anime deveria ler ou assistir.

Com o fim da adaptação de Owarimonogatari, fomos deixados apenas com as memórias destes 8 anos dourados que lembraremos com imensa nostalgia. No meu último ano do colegial pude ver a história de Koyomi Araragi chegar ao fim. O último ano de Araragi foi marcado por garotas bizarras e esquisitices, marcado por sangue e tragédia, marcado por compaixão e alegria.

Quando eu olhar para trás e lembrar dos meus anos no colegial, a primeira coisa que irei lembrar não serão as tragédias, as desventuras com meus amigos, os dias ensolarados e a brisa da minha cidade, os diversos foras ou as diversas risadas no decorrer daqueles anos. Irei lembrar daquele garoto de 17 anos que se esforçou tanto para ajudar os outros, da impecável representante de classe, da melhor tsundere do mundo e sua kouhai, da pequena garota que vive mordendo a língua, das Fire Sisters e sua luta pela justiça, daquela vampira loira amante de rosquinhas.

Owarimonogatari termina com Araragi descendo as escadas, correndo atrás de mais uma pessoa para ajudar, assim como no primeiro episódio de Bakemonogatari

Nós, que ferimos um ao outro, lambendo nossas feridas.
Nós, que machucamos, precisamos um do outro
“Se você quiser morrer amanhã, estarei pronto para morrer também – mas se você quiser viver por mim mais um dia, e irei viver com você também” Eu disse em voz alta.
Assim começa a história daqueles unidos por cicatrizes.
Manchada de sangue e escrita de preto.
Nossa própria história de cicatrizes.
E não tenho a intenção de conta-la para ninguém.”
– Kizumonogatari – 018

Nas novels, Zokuomonogatari marca o epílogo desta longa história, e talvez tenhamos uma nova adaptação em breve, mas mesmo se isso não acontecer poderemos descansar sabendo que a conclusão de Owarimonogatari é mais do que perfeita para encerrar esta história.

Quando eu pensar nos meus anos do colegial, eu irei lembrar desta história. Uma história que tem um lugar especial no meu coração.

Mas agora é o momento de virar a página.

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Sobre o Autor

Luis Alex Butkeivicz

Estudante colegial, fã da cultura pop japonesa moderna e contemporânea aka otaku e escritor

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