Tela Quente

Green Book – O Guia é acomodado na maneira de contar sua história

Green Book: O Guia é um desperdício. É, eu sei, isso deve ter soado exagerado, mas eu precisava começar assim. O novo filme de Peter Farrelly é um dos principais indicados ao Oscar 2019 e prometia tirar o diretor da caixinha das comédias escrachadas. Isso aconteceu? Bem…

Na história dessa comédia-dramática, Peter Vallelonga, um segurança ítalo-americano é contratado pelo pianista, Don Shirley, para levá-lo em uma turnê como seu motorista pessoal. O filme é baseado em fatos reais e os adapta para a tela dependendo de dois fatores: Viggo Mortensen e Mahershala Ali.

As costas deles devem estar doendo.

O primeiro ato de Green Book: O Guia é totalmente dedicado a apresentar o personagem de Viggo, que no roteiro, é tratado com exagero e cenas de pura exposição, ele é visto inicialmente com uma espécie de brutalidade caricata. Cenas fúteis, como o personagem em uma competição de comer hot-dogs, são vistas como uma espécie de acréscimo para sua identidade, tudo isso para criar uma transformação conforme o decorrer da trama.

O filme só começa a andar verdadeiramente quando o personagem de Ali é apresentado e o segmento de road-trip entra na história. Os protagonistas tem química, fazendo com que o roteiro de Peter Farrelly, Nick VallelongaBrian Currie, mesmo que acomodado e situacional, pareça melhor. Roteiro esse que falha na construção do humor, sem timming e com piadas que talvez até te tirem do filme, mesmo sem apelar para o besteirol.

A direção de Farrelly não é ruim, o diretor trabalha bem as cenas, com um ótimo olhar para as performances de Shirley, deixando a câmera mostrar Ali tocando o piano, mas a direção não arrisca mais que isso. A maioria dos planos são comuns, a câmera não tem vida e com isso, o diretor depende totalmente dos atores.

Por sorte, Viggo e Ali estão ótimos. Viggo apresenta uma composição de personagem que vai além do funcional, o sotaque italiano e a maneira em que pronuncia as palavras dão um toque pessoal ao personagem. Do outro lado, Ali é o elo mais forte entre os dois, a atuação é bem reclusa, com momentos certos de mais exposição, os trejeitos característicos e outras pessoalidades fazem o personagem único no filme.

O elenco de apoio é mais mecanizado para ajudar a trama e a construção dos protagonistas, sendo assim, Linda Cardellini e outros atores estão bem, mas sem muito a fazer. A cinematografia de Sean Porter capta bem tons de verde e amarelo, junto aos cenários e figurinos dos anos 60, o filme acerta na reconstrução de época e na musicalidade, o que traz mais vida ao filme.

O filme em alguns momentos tenta realizar críticas sobre racismo e outras formas de preconceito, mas acaba soando como algo pronto, o protagonista sempre acaba caindo em uma definição de “white savior” incômoda e que compromete o resto. Mas o filme mesmo derrapando em vários momentos, é sempre salvo por uma montagem fluida, o que o torna mais fácil.

Reizinho do filme

Green Book: O Guia tem como elo mais forte as atuações, mas é comprometido pelo comodismo na forma de contar a história e por um roteiro inconsistente, e apesar da boa construção de época, o longa acaba desperdiçando a oportunidade de explorar de forma mais didática e realista os temas que apresenta.

Green Book: O Guia estreia dia 24 de Janeiro nos cinemas.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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