Detective Comics Quadrinhos

David Boring | A Confusão Relativa de Daniel Clowes

Escrito por Marco Aurelio

Quando comecei a leitura dessa história, eu não sabia o que esperar. Isso se deve ao fato de nunca ter lido nenhuma obra de Daniel Clowes. Cai de paraquedas na loucura do americano e diferente do que o texto sugere, de certa forma implícita, David Boring não é nem um pouco uma história entediante. 

O começo da história narra a transição da fase jovem para a adulta, mais precisamente o final dela. Um período da vida baseada em incertezas, sarcasmo e acidez, sexo e um pouco depressiva. Essa amálgama forma o que entendemos como o jovem, que nesse caso, em um certo ponto da história, um desses aspectos se transforma em uma suposta obsessão. Porém, independente de um histórico de masturbação exacerbada e a promiscuidade, não julgue o personagem, ainda. Você muito provavelmente passou ou vá passar por algum desses trágicos momentos protagonizados pela novela que chamamos de adolescência, caro leitor. 

“Um farol rosa ilumina seu rosto à medida que ela entra em foco. Começa a tocar uma música romântica. Brotos se transformam em flores, lagartas se transformam em borboletas…”

Mas o curioso nessa história não é só como são os dias de um jovem, mas sim como toda a trama e contexto são jogados ao leitor. Há uma necessidade em decifrar ao máximo a narrativa da história, que podem trazer um pouco de confusão e em muitos momentos você será obrigado a voltar algumas páginas para ver se deixou passar alguma informação útil. 

Na leitura, além de passar por essas informações e situações citadas acima, outra característica que é destrinchado no quadrinho é a noção de Transtorno de Personalidade Antissocial. Cada personagem apresenta um comportamento duvidoso, que vai se tornando cada vez mais estranho conforme o desenvolvimento e ambição pessoal de cada um, mas ao mesmo tempo se mescla com atitudes que já conhecemos e convivemos em nosso cotidiano. 

Nós acreditamos que esse conceito se performa de um jeito explícito, com mortes, mutilações e toda a carnificina, que automaticamente nossa mente insiste em nos mostrar. Entretanto, as nuances dessa condição que devem ser notadas em cada momento da narrativa que evidenciam esse tipo de comportamento. 

Independentemente de como seja a história, ela pode se tornar uma experiência única para cada leitor, já que ela tem uma inclinação de criar várias formas de interpretação pessoal. Não saberemos qual foi a real intenção do autor de qual perspectiva ele queria passar para quem acompanha a obra, mas uma coisa é certa: isso não é uma leitura pra qualquer um. É algo especifico e se você for um Padawan no mundo os quadrinhos, não é o tipo de leitura aconselhável.

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Sobre o Autor

Marco Aurelio

Sou roqueiro, mas no fone de ouvido eu escuto Raça Negra. Quadrinhos e games, eu gosto. Podem me mandar.

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