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Crítica | Warcraft

Escrito por Ravel Medrado

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos de 2016 é baseado nos jogos da produtora Blizzard, World of Warcraft, um dos MMORPG’s mais jogados no mundo inteiro. Adaptações de jogos são projetos audaciosos: levar para as telonas a ambientação, aventura e magia do mundo explorado. Contudo, muitos ficam com receio dessas adaptações devido o histórico de filmes de games desastrosos. Não tenha medo, Warcraft é uma grande exceção. Roteiro, figurino, cenários, trilha sonora e efeitos resultam em obra de arte, e claro, muito fan service. Confira o trailer:

O diretor Duncan Jones foi competente e fez um belo trabalho ao lado da Universal e Legendary, principalmente em buscar a fidelidade com a franquia de jogos no que se reflete nos diálogos, figurino, cenários e efeitos, reverenciando os fãs. O roteiro ficou por conta do diretor e de Charles Leavitt, que em realizações anteriores, participou da roteirizarão de filmes como Diamante de Sangue e Coração do Mar. Ambos tiveram foco em usar a trama ‘base’ e personagens de fontes diretas, em destaque Warcraft: Orcs & Humans (1994) e Warcraft II: Beyond the Dark Portal (1995) para inspiração.

A produção é impecável, temos produtores de filme como Batman: O Cavaleiro das Trevas e Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros. Os efeitos também são incríveis com a captura de movimento dos atores. O CGI foi bem utilizado dando ares de realidade, o figurino também foi digníssimo, cenários exuberantes que se assemelham ao MMORPG.

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Nem tudo são flores, a crítica no geral não foi generosa com o filme, em certas partes com razão. Para quem não é jogador ou seguidor dos games, ficará ‘’desorientado’’ em algumas partes no sentido de ‘’Como surgiu isso? Qual é a história desse cara?’’ e entre outras. Porém, usar esse argumento como um problema é um tanto que equivocado, já que o próprio filme dá a entender que terá uma continuação, e assim, elas serão respondidas. Entre os problemas do filme se encontra alguns atores, o que é irônico, eles nos aproximam ainda mais dos jogos com seus personagens e suas interpretações pomposas e as vezes ridículas, talvez não seja um ‘’problema’’ e sim uma das peculiaridades.

O roteiro não é a quinta maravilha do mundo, mas também não chega a ser um desastre, é um bom filme que pode agradar os leigos e mais ainda aos fãs. O foco maior ficou entre o embate entre os Orcs e os humanos, além de pequenas participações de outras raças fantásticas, por exemplo, anões e grifos. A simplicidade foi uma aposta certa, o roteiro não beira ao clichê e em certos pontos é sofisticado. Pode surpreender vários no terceiro ato do filme deixando bagagem para uma possível continuação.

A caracterização dos personagens foi bem fiel, Durotan é o mais notório, em contrapartida, mudaram a etnia de alguns personagens tal como Lothar, veja abaixo algumas imagens comparando o filme e o jogo.

Garona interpretada por Paula Patton.

Garona interpretada por Paula Patton.

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Durotan interpretado por Toby Kebbell.

Para os interessados quanto a participação feminina no filme: marcantes, apesar de poucas cenas, superam em quantidade de minutos vários filmes do mundo nerd, passando no teste de Bechdel.

Comparações são inevitáveis, até o próprio diretor, Duncan Jones, citou a trilogia O Senhor dos Anéis lançada no inicio da década passada dirigida pelo diretor Peter Jackson, uma comparação injusta. O Senhor dos Anéis teve uma pausa de 60 anos entre a publicação do livro O Hobbit e o primeiro filme Sociedade do Anel, já possuindo uma notória legião de fãs. Warcraft possuí 20 anos no mercado e ainda tem um grande peso nas costas: o preconceito com filmes de games, amplificado por inflação e uma atual crítica especializada rigorosa com filmes blockbusters.

O elenco contra com Travis Fimmel (Vikings), Dominic Cooper (Marvel’s Agent Carter), Toby Kebbel (Black Mirror), Ben Schnetzer (A Menina que Roubava Livros), Ruth Negga (Preacher), Paula Patton (Missão Impossível Protocolo Fantasma), Anna Galvin (Legends of Tomorrow) e outros.

Um filme épico que prepara o terreno para a sua continuação de maneira a utilizar a jornada do herói de maneira simples e direta, com diversão, adrenalina e aquela vontade de jogar e conhecer World of Warcraft.

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Sobre o Autor

Ravel Medrado

A felicidade só existe na aceitação.