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Crash Bandicoot 4: Its About Time é a sequência definitiva

Escrito por Jean Kei

Crash Bandicoot 4: Its About Time definitivamente não é o quarto jogo da franquia Crash, mas quer que você trate como se fosse, o que é algo bom.

Crash é uma franquia de jogos bem longa. Apesar de tamanho não ser sinônimo de qualidade, ela tem uma história curiosa. Após o lançamento dos três jogos originais e um spin off de corrida, a franquia passou pela mão de outras desenvolvedoras que continuaram a franquia com uma série de jogos em que a qualidade variava entre jogos “OKs” à terríveis. A maioria dos jogos experimentavam coisas diferentes e nenhuma parecia dar certo.

Então, a Vicarious Vision decidiu fazer um remake da trilogia original e lançar num pacote só, o Crash Bandicoot N’sane Trilogy. O pacote foi importante pra mostrar que os jogos originais não eram apenas nostalgia, mas que afirmavam que jogos de plataforma ainda se sustentam muito bem.

É nesse contexto que foi feito Crash Bandicoot 4: Its About time

Crash Bandicoot 4 abandona boa parte do que foi criado pós Crash Bandicoot 3 e faz um jogo que aos moldes da trilogia original. Isso significa que quem já está acostumado com o plataformer 3D que eram os jogo originais, pegará o jeito rápido aqui. Nem tudo é igual, porém, o ritmo e o peso de Crash é um tanto diferente, o que pode gerar um estranhamento inicial.

Crash Bandicoot 4 é mais Crash, mais em tudo

Abraçando tudo o que os jogos anteriores significavam, o game pega tudo que funcionou nos antigos e utiliza de uma forma maior. O jogo tem mais coletáveis baseados em pegar diamantes, mais caixas e mais desafios em plataforma do jeito que se costuma em ver na franquia. Também é, provavelmente o jogo mais difícil da série de se completar 100%.

Neste jogo, nós temos seis diamantes coletáveis por fase, três baseados no número de frutas pegas, um secreto, um por coletar todas as caixas e um por morrer pouco na fase. Sendo assim, o jogo incentiva o jogador a repetir a mesma fase várias vezes e domina-la cada vez mais se quiser completar 100%

Mas o que torna esse, o provável Crash mais difícil, é o fato de que as fases costumam ser longas e terem algumas caixas bem escondidas. Esse foi o jogo da franquia que mais passei pela frustração de terminar a fase faltando uma ou duas caixas. Não bastasse essa dificuldade nos estágios em si, as fases bônus aqui são vistas como desafios para quem está mais acostumado com o jogo. Antes da metade do jogo já haviam fases bônus em que tive que dominar timing e rasteira se quisesse completar de forma decente.

Tá, mas para que servem os diamantes dessa vez?

Agora os diamantes servem para desbloquear roupas alternativas para os personagens, que são muito bem feitas e legal de se obterem. O jogo conta como uma versão alternativa invertida de cada fase, que contém mais seis diamantes e faz brincadeiras visuais com o cenário. Depois dos primeiros mundos, o jogo exige que você colete alguns diamantes das fases invertidas também para desbloquear roupas alternativas. Essa dinâmica de roupas alternativas é um bom jeito de você sentir progresso constantemente ao jogar o jogo com uma visão mais “complecionista”.

Novos personagens jogáveis e fases mais ou menos inéditas.

Um ponto bem interessante deste novo jogo é a presença de novos personagens com fases e mecânicas únicas. Aqui nós temos a Tawna (namorada do Crash no primeiro jogo), que tem uma física um pouco diferente e habilidade de usar ganchos, Crocodile, que usa uma arma que suga e atira caixas, e Neo Cortex, o vilão principal dos jogos anteriores, que pode atirar em inimigos e moldá-los em cubos com propriedades diferentes (ou uma plataforma sólida ou uma plataforma que quica).

Jogar com esses personagens da um respiro e uma variedade agradável no jogo. Porém, nem tudo são flores. Metade das fases com esses personagens são novas, mas após chegar na metade, você volta a jogar com Crash ou Coco numa fase idêntica a anterior que você já havia feito com eles. A ideia aqui é mostrar a mesma fase num contexto diferente, mas acaba ficando cansativo.

Mas até mesmo nas fases cansativas, o level design compensa

O design das fases de Crash 4 é bom demais. Elas são desafiadoras mas há um equilíbrio e o desafio proposto é legal. Além de fases legais, o jogo se permitiu a ser um tanto mais criativo com chefes, fazendo as batalhas serem mais longas, porém mais dinâmicas (o que infelizmente não se aplica a todas as lutas, mas em várias, sim).

No fim, Crash Bandicoot 4 é um ótimo jogo de plataforma

Apesar de ter seus momentos frustrantes principalmente pra quem quer buscar o 100%, Crash Bandicoot 4: It’s About Time é um dos jogos de plataforma mais bem polidos da atualidade, e há bem poucos jogos como ele. Então eu recomendaria para qualquer um que se interessa pelo gênero, tendo ou não embasamento cultural dentro da série.

Agradecimentos à Activision pelo envio do código para análise. O jogo foi testado em um PlayStation 4 e está disponível também para Xbox One.

Ouro – Recomendável

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Jean Kei