Anime Cultura Japonesa Mangá

Capítulo 139 de Attack on Titan – Um final tão aguardado, mas muito acovardado

Escrito por Diego Augusto

CONTÉM SPOILERS DO MANGÁ!

O capítulo 139 do mangá de Attack on Titan, com lançamento previsto para 9 de abril, já vazou na internet. Intitulado “A História Final: Em Direção à Árvore daquela Colina”, o último capítulo do mundialmente famoso e aclamado mangá escrito por Hajime Isayama nos traz a tão aguardada conclusão da história de Eren Yaeger e seus companheiros da Ilha Paradis.

A edição se inicia com um diálogo entre Eren e Armin nos Caminhos. Essa conversa entre ambos não ocorre no tempo cronológico presente nos capítulos 138 e 139, mas sim alguns capítulos antes quando Eren se conectou com Armin através dos Caminhos de Ymir.

Durante a conversa entre os dois, Eren revela para o amigo seu verdadeiro plano: causar o caos na humanidade e ser morto por seus amigos, tornando-os heróis e conseguindo a paz mundial. Porém, é um diálogo muito extenso e em grande maioria desnecessário, tendo em vista que várias perguntas permaneceram sem respostas e mais pareceu uma conversa para “encher linguiça”.

Em uma página, Eren diz que queria “resetar” o mundo, transformá-lo numa página em branco (o que faria sentido ao fazer o Tremor da Terra, mas perde sentido ao querer que seus amigos o matassem para virarem heróis.).

Eren revela para Armin e para o público que, com o poder do Titã Fundador, não existe passado, presente e futuro. Tudo acontece ao mesmo tempo. Então, o garoto conta que indiretamente foi o responsável pela morte de sua mãe, ao salvar Bertholdt de ser comido pela titã que posteriormente comeria sua mãe.

Eren revela também que Mikasa é a única que pode libertar Ymir da “dor do amor”. Isso foi algo bastante clichê e totalmente aleatório, tendo em vista que não houve a explicação do porquê Mikasa seria a única capaz de cumprir tal tarefa. Quando questionado por Armin sobre tal fato, Eren responde: “Não sei, apenas a Ymir sabe…”. Deduz-se que nem o próprio Isayama saiba.

Neste capítulo Eren se mostra bastante arrependido do que fez e do que viera a fazer à seus amigos, demonstrando até profundos sentimentos por Mikasa e dizendo que queria que a garota o amasse para sempre e que não arrumasse outra pessoa a quem amar, um amor que vai além da amizade. Algo que ele nunca demonstrou em 138 capítulos.

Por fim, Eren imcumbe Armin de salvar a humanidade depois de sua morte.

Na próxima página, vemos Armin, Mikasa e todos os outros eldianos (que haviam sido transformados em titãs no capítulo anterior) voltarem às suas formas humanas e com Armin dizendo que o poder dos titãs não faz mais parte desse mundo.

Cara, que final enrolado!

Yelena, minha filha! O Isayama esqueceu de você?!

A justificativa de Eren fazer isso é tornar-se o “demônio” que fez o estrondo e matou 80% da população mundial (outra coisa que não é confirmada, porém, duas vezes dita). Tudo isso para, no final, ser morto para que seus amigos sejam heróis e o mundo viva em “paz”. Sendo que, após sua morte, é provável que essa paz não ocorra.

No final do mangá, os personagens desfrutam de uma “paz momentânea” e está escrito num balão de fala: “Eldia e o mundo, até que um deles desapareça, a guerra não irá acabar”. Isso demonstra que todo o sacrifício de Eren e dos possíveis 80% da população mundial morta pode ter sido em vão, tendo em vista que Paradis apoiava Eren, e quem matou Eren foram os próprios Eldianos. Assim como numa fala de Eren para Armin, nos Caminhos: “Pessoas em Paradis continuaram matando uns aos outros.”, é provável que com os Yaegeristas ainda no poder, as mortes não parem.

Perguntas que ficaram sem respostas:

  • O que aconteceu com o parasita (centopéia) que era a tal “origem” do poder dos titãs? E como se deu essa origem? Por quê ele não aperece nesse capítulo?
  • Por quê Mikasa era a única que podia acabar com a “dor do amor” de Ymir?
  • Como funcionam, detalhadamente, os Caminhos?
  • O filho de Historia era de Eren?
  • Para acabar com o poder dos titãs, bastava matar Eren? O parasita não deveria ter papel fundamental nesse final?
  • O parasita tinha vontade própria ou Ymir e Eren o controlavam?
  • Afinal, Eren queria “resetar” o mundo, ser livre, ou alcançar a paz?
  • A população mundial agora trata Eren como herói ou vilão?

Calma, leitor! Nem só de críticas negativas vive um redator. O capítulo tem pontos positivos também!

  • Vemos um Eren humanizado, algo que já não víamos há algum tempo.
  • Eren realmente ainda se importa com os amigos.
  • O capítulo dá extrema importância ao Armin, personagem que, na minha opinião, foi um pouco esquecido ao decorrer do mangá.
  • Eu ainda não sei se considero isso positivo mas, os aliados estão vivos, mesmo após terem sido transformados em titãs e considerados “mortos” pelo público.
  • Levi vendo todos os seus companheiros da Tropa de Exploração e dizendo que o sacrifício deles valeu à pena (melhor parte)

Dentre diversas e ótimas teorias feitas pelo público, apesar de fantasiosas e complicadas, era de se esperar um final mais aprofundado e trabalhado. O mangaká entrega um desfecho “simples”. De fato, pela qualidade da obra é de considerável decepção o final entregue. Muitos dirão ser comparável à Game of Thrones, Lost, Wandavision ou até à alguns animes como Naruto e Tokyo Ghoul, que entregam tramas espetaculares mas tem um final que deixa a desejar. Attack on Titan faz igual à essas obras, porém em dose bem menor. Não aconteceu nada de outro mundo como surgir um extraterrestre no meio do campo de batalha ou então alguém ficar maluco e queimar uma cidade viva. O desfecho se deu de uma maneira que muitos irão achar coerente, já outros não. Varia da opinião de cada um. O que resta é a saudade de uma obra que desde o começo se mostrou complexa e despertou a curiosidade de muitos e, até então, é considerada uma das melhores de todos os tempos. Vamos ver se a opinião permanecerá ou se Attack on Titan entrará para a galeria das “obras magníficas que o final estragou”.

Nota do mangá completo

8,5/10

Nota do capítulo

6/10

 

 

 

 

Comentários
Compartilhar

Sobre o Autor

Diego Augusto