Cinema Tela Quente

007 – Sem Tempo para Morrer dá um final inesperado ao Bond de Daniel Craig

Escrito por Diego Augusto

Depois de 3 adiamentos consecutivos, ‘007 – Sem Tempo para Morrer’, que, inicialmente, tinha como data de lançamento o dia 02 de abril do ano passado, finalmente chegou aos cinemas internacionais. Com um elenco de peso, com nomes como Daniel Craig (Bond), Ralph Fiennes (M) e Rami Malek (Safin), o longa chegou aos cinemas brasileiros hoje (30), com a missão de dar uma despedida justa ao ator Daniel Craig na franquia 007.

A nossa equipe foi convidada para a pré-estreia do filme, que ocorreu ontem (29). Abaixo você confere o que achamos do tão aguardado filme.

 

Alerta de Spoilers!!!

 

O primeiro ato é uma das melhores partes do filme. Antes mesmo dos créditos iniciais, o filme nos presenteia com um “flashback” de puro suspense envolvendo a versão infantil da personagem Madeleine Swann (007 – Contra Spectre) e um ser mascarado que vai até a casa de Madeleine para assassinar seu pai, Sr. White (007 – Cassino Royale, 007 – Quantum of Solace e 007 – Contra Spectre). Na cena, por não encontrar seu alvo, o mascarado assassina a mãe da personagem e, ao tentar matar a menina, acaba sendo surpreendido pela mesma que saca uma arma e alveja o criminoso com 3 tiros ou mais. É perceptível que a garota, que aparentava ter uns 8 anos, já havia treinado com armas de fogo. O que surpreende o público, é que a mesma não esboça nenhuma reação ao carregar o corpo do homem mascarado para fora de sua casa. Porém, é surpreendida ao ver o “cadáver” se levantar e começar a persegui-la no meio de uma paisagem inóspita, num mar congelado. Uma parte do gelo acaba rachando, e a menina quase de afoga, mas é (surpreendentemente) salva pelo homem que tentava matá-la. Esse começo não é muito característico dos filmes atuais de James Bond, porém, com uma trilha-sonora de arrasar e com uma perseguição e desfecho emocionantes, acaba por entreter o público e ganhar sua atenção.

Ainda no primeiro ato, já nos tempos “atuais”, Bond está curtindo a vida de aposentado junto com sua, até então, namorada: Madeleine Swann. No final do filme anterior ‘007 – Contra Spectre’, o casal foi visto saindo de cena no clássico Aston Martin de Bond. Agora sabemos então, que o destino foi a Itália.

A trama do novo filme do agente secreto tem seu início quando Bond vai visitar o túmulo de seu antigo interesse amoroso, Vesper Lynd (007 – Cassino Royale) e acaba sendo alvo de uma explosão: a bomba estava no túmulo de Vesper (Eva Green) e quando Bond chega perto para ver algo suspeito nas flores que deixaram para sua ex-namorada (um cartão com a logo da Spectre), a bomba explode, sendo quase fatal para o agente. Mal James levanta, começa uma perseguição implacável entre as ruas da cidade italiana, que tem direito a: estreitas vielas, carros e motos em alta velocidade, e muita adrenalina. A Spectre não está para brincadeira. Quando Bond chega no hotel em que estava com Madeleine (Léa Seydoux), ele a culpa pela explosão, achando que, assim como Vesper, a “Bondgirl” o havia traído. Vale ressaltar que Sr. White, o pai de Madeleine Swann, era agente da Spectre. Bond, então, abandona sua companheira.

Após isso, o filme nos traz um timeskip de 5 anos (você pensou em Vingadores: Ultimato, não é mesmo?). Bond, ainda aposentado, está agora sozinho, curtindo sua nova vida. Porém, é procurado por seu antigo aliado, Felix Leiter (Jeffrey Wright) e seu novo parceiro Logan Ash (Billy Magnussen), que pedem ajuda ao agente secreto para resgatar o cientista Valdo Obruchev (David Dencik) que foi sequestrado pela Spectre. No final do primeiro ato, é apresentada ao público a nova agente 007, Nomi (Lashana Lynch). Parece que o diretor Cary Fukunaga já definiu o futuro da franquia. Não é certo que ela será a protagonista dos futuros (possíveis) filmes da franquia 007. A personagem tem um certo carisma, porém, nada que substitua a presença de tela de James Bond, seja ele por quem for interpretado. Afinal, toda a franquia gira um torno deste lendário detetive. 

O segundo ato é interessante. Ao encontrar com Paloma (Ana de Armas), em Cuba, Bond e a agente da CIA entram no covil da Spectre, numa festa em homenagem ao líder e antigo antagonista da franquia Ern Stavro Blofeld (Christoph Waltz). A atuação de Waltz é impecável, porém, ele não é o vilão principal do filme e sua presença acaba deixando a desejar, pelo pouco (bem pouco, mesmo) tempo de tela. Na festa da Spectre, são vistos vários personagens membros da organização, e quem presta bem atenção na cena, consegue reconhecê-los. 

 

SPOILER MÁXIMO!!!

 

Agora, um ponto-chave da trama: Valdo Obruchev havia criado a ama mais letal do mundo. Um veneno, à base de DNA que insere nano robôs em todas as pessoas afetadas pela contaminação do mesmo, mas, só mata quem estiver com o DNA programado no veneno, ou for da família dessa pessoa, tendo o mesmo DNA. Isso pode parecer um pouco confuso para os espectadores, pois, no decorrer do longa, é revelado que Obruchev criou o veneno com a ajuda de M (Ralph Phiennes), ex-chefe de James Bond. Muitos céticos se perguntarão: Como a arma mais letal do mundo foi criada por um cientista com a ajuda do chefe do MI6, e os EUA ou a Rússia não inspecionaram o projeto e nem fizeram alguma coisa? Mais tarde é visto que diversos países estavam interessados na obtenção dessa “arma letal”.

Para resumir, e não perder o raciocínio anterior, Bond era o alvo da Spectre (que queria matá-lo com o tal veneno), porém, Valdo se mostra um agente duplo e acaba “salvando” James, trocando seu DNA pelo material genético de todos os membros da Spectre. O único (da organização) que sobrevive, é Blofeld (Christoph Waltz), que está preso. Até o terceiro ato, o que acontece de relevante é que Logan Ash se revela um traidor e mata Felix Leiter, cena que mostra o sentimentalismo de Bond pelo amigo morto, o que humaniza o personagem. No final do segundo ato, finalmente, o vilão dá as caras. Safin (Rami Malek) é uma surpresa no filme. (Quando ele apareceu, eu até esqueci que ele estava no elenco kkk). Ele se revela como o homem mascarado que quase matou e salvou Madeleine, e pede a ela que assassine Blofeld com a utilização do veneno. A atuação de Malek é metódica e muito boa, porém, a trama não favorece suas motivações, que acabam por esquecidas. Vale ressaltar, que este é o terceiro vilão da era Daniel Craig 007 a ter ganho o Oscar. Javier Bardem, que interpretou o vilão Raoul Silva em ‘007 – Operação Skyfall‘ e Christoph Waltz, que interpretou Ern Stavro Blofeld em ‘007 – Contra Spectre‘ e o interpreta no novo filme, são os outros dois. Parece que a fórmula está funcionando. Pelo menos, com os vilões.

O reencontro de Bond com Madeleine, 5 anos após terem se separado, é interessante, pois, é um outro momento do filme que mostra o lado humano do agente. Um homem que se apaixona, sofre e tem saudade. E que, talvez, se arrependa de suas escolhas. O diálogo entre Bond e Waltz também é bom. O vilão sabe mexer bem com as emoções do protagonista e mostra uma dualidade, estilo Batman e Coringa, em o Cavaleiro das Trevas, que também termina com o protagonista batendo no antagonista. De certo, o objetivo da direção, neste filme, foi aproveitar a trama de ‘007 – Contra Spectre‘, que montou todo um quebra-cabeças dos filmes anteriores (desde Cassino Royale), e deu alguma sentido à franquia estrelada por Craig. Em ‘007 – Sem Tempo para Morrer’ a Spectre é toda destruída quando Blofeld morre, o que mostra explicitamente que ele era só mais uma peça, e não o jogador principal.

Agora, vem a parte que, na minha opinião, foi a mais aleatória e jogada do filme. Pasmem. Quando Bond vai até a casa de Madeleine, ele descobre que, agora, essa tem uma filha e diz que ela não é de James. Porém, no final do filme, fica claro que a afirmação era mentira. Pensem comigo, durante os 5 anos que o casal ficou separado, com os inúmeros contatos que Bond tem no governo e amigos importantes, ninguém podia ter ligado para ele e falado: “Cara, a Madeleina tava grávida e você tem uma filha.”? Não tem muito sentido eles encaixarem isso no filme. Porém, a criança é tão fofa, que cativa o público e o faz ter empatia pelo núcleo familiar de Bond. É sensacional pensar no agente tendo uma família que possa cuidar, amar e, enfim, descansar.

O final é convincente e até emociona. Bond salva o mundo mais uma vez, mas, envenenado por Safin e, não querendo contaminar Madeleine e Mathilda (sua filha), opta por se sacrificar e ser morto numa chuva de mísseis que destruíram o cenário da “batalha final”. O público consegue sentir o vazio e a saudade deixada por Bond.

O filme não tem cena pós-créditos, porém, pasmem novamente: ao final dos créditos aparece a frase “James Bond voltará.” Talvez, seja verdade. Porém, acho que a indústria não vai investir (pelo menos não agora), em outro ator “padrão” para viver o lendário espião. O que, na minha opinião, é um erro. Ou a indústria espera algumas décadas para lançar novos filmes 007, com James Bond no papel principal ou faz algum spin-off do universo 007. Descaracterizar o personagem, não será a melhor solução.

Então, é bom?

Sim. Sendo dividido em duas tramas – uma subtrama entre Madeleine, Bond e a Spectre (a parte que prende o espectador) e a trama principal, a arma letal criada para matar indivíduos e que ameaça o planeta (a parte que não prende o espectador por não se mostrar convincente o suficiente), o que é apresentado ao público é uma história que beira o genérico, porém, cheia de surpresas. A trama relativa a Spectre, aliada com a humanização de Bond e sua relação “familiar”, além das cenas (ótimas) de ação, são os verdadeiros alicerces do longa que tem quase 3 horas de duração. Fui sem expectativa alguma para o filme, mas, saí surpreendido da sala de cinema. Fizeram uma despedida justa para o “menos querido” James Bond dos cinemas. O filme tem suas aleatoriedades e desinteresses por alguns personagens, porém, conseguiram “enxugar” a subtrama junto com a trama principal e apresentar um final justo. Para quem quiser ver ‘007 – Sem Tempo para Morrer’ com o objetivo de ver um “filme de espião”, eu não recomendaria. O filme passa longe da espionagem tradicional de James Bond, apesar de conter elementos da mesma, como disfarces e apetrechos tecnológicos. É um ótimo filme, que, do clichê, conseguiu tirar algo bom.

Nota: 4/5

 

 

 

Comentários
Compartilhar

Sobre o Autor

Diego Augusto

Deixar um comentário

Or